Vi tanto terror, senti tanto medo. Fechei os olhos para o mundo, resolvi botar uma venda e me esconder de tudo, se trancar em um quarto de saudade e mergulhar em um mar de ilusões, viver dos meus sonhos, viver dos poderes da mente. Meu sol já não brilha mais, meu jardim já não cresce, minhas flores não desabrocham, tudo morreu, tudo se perdeu, tudo se foi. As rosas que guardei do velho amado se despedaçaram, perderam cor e murcharam, faltou água, faltou cuidado, faltou amor. Só restaram marcas, restos de afeto, restos de carinho, mas tudo em pouco não me satisfaz, preciso de mais, necessito de vida novamente, de um pouco de cuidado. Quero de volta tudo aquilo que teu abraço me roubou, quero sentir o vento no rosto e o bagunçar dos cabelos, quero conhecer o teu mundo, quero conhecer o que de há de bom do outro lado, para ver se encontro por algum canto uma oportunidade de ser feliz outra vez, mas eu preciso que você me convide, me estique os braços e segure minhas mãos, sinta-me, recolha toda essa sujeira que escorreu de mim quando me encontrava aos desmanchos, faça-me inteira novamente, melhor ainda, descarte-me! Amar nunca nos faz mais inteligente, olhos atraentes sempre nos mostram novas entradas para precipitadas paixões, mas a gente foge, desvia, arrisca, eu sou assim, meia estação, ora esquenta, ora chove, nessas idas e vindas, só as lembranças me fazem sorrir e na sã consciência a serena voz da alma grita que precisa de ar, de visitas, de tentativas, na insana vontade de voar eu espero, em lagrimas, uma força que encoraje a enxergar o mundo, a desvendar a já oculta cor dos meus olhos. Gustavo Meira